Depois de mais de três horas de negociações intensas no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), foi confirmada a notícia que Campinas esperava: a paralisação deflagrada pelos motoristas e cobradores das empresas de ônibus na terça-feira, dia 13, estava encerrada antes mesmo de completar 24 horas de movimento. Motoristas e cobradores voltaram ao trabalho nesta quarta-feira, 14 de maio, e após atrasos na saída das garagens da VB 1, VB 3 e Onicamp, por volta das 8h30 toda a operação do sistema de transporte já estava normalizada. A decisão foi anunciada por volta das 20h45 desta terça e aconteceu quando tudo parecia caminhar para a radicalização do movimento. A assembléia da categoria no período da tarde já havia definido que a paralisação continuaria e seria ampliada, podendo chegar em todas as garagens das empresas concessionárias. Na terça-feira, a paralisação foi parcial, mas atingiu a área 01 – região do Ouro Verde, considerada a maior do sistema, prejudicando o deslocamento de 140 mil usuários do transporte. Em Campinas, cerca de 600 mil passageiros dependem do transporte público diariamente. Restava apenas o diálogo entre as partes envolvidas: de um lado, representantes dos trabalhadores; do outro, das empresas concessionárias e Transurc, e também um terceiro interlocutor: a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC), responsável pela gestão do transporte e incansável na busca de uma solução para evitar ainda mais transtornos e prejuízos para a cidade. Na mediação, o desembargador presidente do TRT 15ª Região Campinas – SP, Luís Carlos Araújo, e a procuradora do Ministério Público do Trabalho, Flavia Vanessa Maia, que teve participação estratégica ao pedir a conversão da medida cautelar da EMDEC em dissídio de greve. Para a EMDEC, a negociação parecia difícil, mas o apelo sobre o impacto da manutenção da greve na vida do campineiro era um argumento consistente e o diálogo tinha que avançar. Os prejuízos da terça foram visíveis em toda a cidade. Mesmo com o plano de emergência que garantiu a colocação de 101 veículos (com a frota do serviço seletivo, alternativos, Corujão e medidas de apoio como a liberação de lotação) na região do Ouro Verde, área paralisada, os reflexos apareciam em todo o sistema de transporte: prejuízos para a integração, muitas vezes, o usuário não conseguiu fazer o seu deslocamento em uma hora e utilizar o Bilhete Único, e tinha que pagar a segunda tarifa – prejuízos para o bolso do trabalhador; para a cadeia produtiva com os atrasos; para o trânsito, que acumulou 10 pontos de lentidão na manhã e outros oito pontos no período da tarde até às 19h30. O retorno para casa foi bastante lento. Tudo isso sem colocar custos imensuráveis como o conforto no deslocamento – o nível de carregamento de muitas linhas do sistema foi bem maior que nos dias normais e a lotação era inevitável; o estresse e ansiedade no descumprimento de compromissos. Junto com tudo isso, a necessidade de definir um acordo entre capital, representado pelas empresas; e trabalho, pelos operadores do sistema. As negociações foram intensas e por duas vezes foram interrompidas para avaliação das partes. Enfim, fecha-se a proposta de consenso. Motoristas com reajuste de 8% sobre os salários; cobradores receberam 10%, tíquete-refeição no valor de R$ 8,00, desconto de R$ 2,00 para o recebimento da cesta básica e greve encerrada. A decisão foi homologada pelo desembargador-presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região – Campinas – SP e pela procuradora do Ministério Público do Trabalho. Na frente das negociações, no Tribunal Regional do Trabalho, participaram representando o sindicato, o diretor Aparecido Alves Teixeira, e os advogados, Alexandre José Attuy Clares e Reinaldo Marcelo de Oliveira. E a categoria foi também representada por dois funcionários integrantes da Comissão de Greve, Claudinei Gonçalves e Florisvaldo Barbosa dos Santos. Representantes de todas as empresas concessionárias estavam presentes e a Transurc participou das negociações com o diretor-executivo Armando Damasceno e o advogado Laércio Silveira Reis. O diretor de Desenvolvimento e Infra-Estrutura Viária da EMDEC, Maurício Thesin, e a advogada Gabriela Pinheiro Travaini foram os interlocutores do Poder Público, representado pela EMDEC. Com a volta ao trabalho de motoristas e cobradores, Campinas também pode voltar a sua rotina normal. A população agradece. Denise Pereira




