A EMDEC conseguiu levar para as ruas mais de 230 veículos antigos, com destaque para uma frota de 14 ônibus, no primeiro Desfile de Carros e Ônibus Antigos, realizado em comemoração aos 230 anos de Campinas, no dia 18 de julho. Nem a chuva, nem o frio foram suficientes para atrapalhar uma legião de interessados na história do transporte e na evolução dos automóveis pelo Século XX, que acompanharam desde cedo a concentração dos veículos na Torre do Castelo, e a carreata até o Largo do Rosário, onde o cenário mais parecia o de um Museu a céu aberto, com inúmeras raridades. Entre o público, a curiosidade estava estampada nos olhos de crianças, muitas delas tendo contato pela primeira vez com carros tão antigos e conservados. Também se destacavam jovens, que disputavam fotos em frente a tantas máquinas, e adultos, que aproveitaram o momento para matar a saudade de veículos que estiveram em seu sonhos ou, em muitas vezes, na sua história. Já entre os expositores, a alegria e o orgulho em colocar seus veículos à mostra. Samuel Marco Antônio, era um deles. Com seu Whippet Sedan 1930 (de fabricação americana), argumentava orgulhoso: “quem tem um carro desses, não sai sem ser notado”. O gosto por carros antigos é grande. Ele conta que tem ainda uma Pick up 1951, um Esplanada Crysler 1967 e que seu Whippet já foi sondado até por um Museu Alemão. “No Brasil, só existem 5 modelos como o meu”, destaca. Para Mário Ferreti, que adquiriu há seis anos um Studebaker (modelo 1955), o orgulho pelo carro é tanto que, depois de ser premiado em vários eventos, o veículo foi batizado no Brasil com seu sobrenome: Ferretti Studebaker. Entre as histórias curiosas do veículo, ele conta um pedido do ator Lima Duarte para andar no seu Studebaker, que é o único modelo no país. Ele afirma que o ator ficou emocionado, chegou a comentar que no passado esse foi um dos carros do seu sonho e ele não tinha dinheiro para comprá-lo, mas que hoje que poderia fazê-lo, o veículo é praticamente uma raridade. O mais quente dessa história é que essa raridade que figura no sonho de muita gente foi achada em um ferro velho por Ferretti. Outro carro que chamou a atenção no desfile foi um Cadillac (1961) Fletwood. Mais uma peça raríssima, que pertenceu ao Conde Matarazzo e hoje é de Salvador Zimbaldi. O veículo foi todo restaurado, com peças vindas do Texas, é totalmente elétrico e conta até com itens para quebrar gelo, que jamais seria usada aqui nos trópicos. Zimbald conta que esse era seu objeto de desejo, desde os tempos da Velha Guarda, quando Roberto Carlos também desfilava o seu Cadillac. E quem foi ao desfile também pôde ver um Belair 1955 americano. Seu proprietário, Ubiratan Lima, trata o carro como uma estrela, afinal ele é utilizado nos últimos tempos apenas para comerciais, com cachê de celebridade. Muitos outros veículos puderam ser vistos, vale o destaque para um Ford Tri-windows, de um colecionador que conta com 16 veículos antigos. O Whippet, o Cadillac e o Studebaker foram os destaques reconhecidos no desfile e lembrados pela Organização do Evento. Capriolli levou frota histórica Mas se por um lado os veículos chamaram atenção, não houve concorrência para os ônibus, já que a iniciativa de um desfile com esses modelos foi inédita. Perfilados no Largo do Rosário, havia desde jardineiras, passando pelo primeiro Mercedes a chegar no Brasil, quando as malas ainda eram carregadas num bagageiro dos ônibus, até veículos do transporte coletivo da década de 70. Não faltou também o charme de um modelo de ônibus inglês com dois andares (modelo Scania 1988) . Todos de propriedade da Capriolli. Para completar a festa, o desfile foi encerrado ao som da Banda “Os vermes”, com baladas e rock da década de 70. A Banda conta, entre seus integrantes, com três funcionários da área de trânsito da EMDEC. Denise Pereira

11/06/2026/
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