A falta de políticas públicas para a segurança no trânsito custa caro para a sociedade e para o País. A crítica do diretor do Departamento Nacional de Trânsito – Denatran, Ailton Brasiliense, foi acompanhada da apresentação de números da acidentalidade no Brasil e dos prejuízos resultantes da violência no trânsito, durante o Seminário Municipal de Segurança no Trânsito, organizado pela Prefeitura de Campinas, através da Secretaria de Transporte. De acordo com Brasiliense, são 300 mil acidentes com vítimas, 400 mi feridos e 33 mil mortos por ano. 18 mortes para cada 100 mil habitantes. E ele frisa, que essa situação já foi muito pior. O resultado são gastos na ordem de R$ 5,3 bilhões com custos com acidentes nas aglomerações urbanas, segundo pesquisa do Instituto de Pesquisa Aplicada – IPEA, e da Associação Nacional dos Transportes Públicos – ANTP. Ele destaca, entretanto, que se levado em conta os acidentes nas rodovias, essa estimativa pode chegar a R$ 10 bilhões. O diretor do Denatran defende que tudo isso poderia ser evitável com políticas e investimentos em segurança e na formação de motoristas e pedestres. “Os acidentes são praticamente programados pela “farsa” montada na habilitação dos motoristas”. “Hoje, temos 40 milhões de condutores no Brasil produzindo riscos, porque não foram adequadamente formados e preparados para dirigir. São apenas 30 horas para a formação de um motorista e os conhecimentos limitados”, argumenta. Brasiliense destacou ainda que o motorista no Brasil é preparado para ser um operador de máquinas. “Isso precisa mudar. É preciso agregar à formação conceitos de cidadania e instituir responsabilidade para o condutor”. Em relação ao pedestre, o diretor também defendeu um “manual de orientação” para mudar o seu comportamento. “Parece absurdo, mas os pedestres não sabem atravessar na faixa e não têm uma postura cidadã, no trânsito.” Outro ponto abordado por Brasiliense foi a cultura de mobilidade e circulação centrada no automóvel. Segundo ele, as cidades não podem mais se expandir para atender ao crescimento da utilização do carro. As cidades precisam atender às pessoas. “Uma das principais propostas para garantir isso é aumentar a oferta do transporte público, que contempla a maioria,” destacou. Denise Pereira

11/06/2026/
Atenção e reflexo reduzidos, percepção e tomada de decisão prejudicados. Estas são consequências de um comportamento que pode ser fatal...



