Bondes em Campinas, 1947Andrade Neves: os bondes e a arquitetura

Quem olha a Avenida Andrade Neves nos dias de hoje, com todos os carros, ônibus e pedestres, não imagina que, no passado, quem tomava conta das ruas eram os bondes. Boa parte das linhas existentes em Campinas passavam pela Avenida, além de um bonde que fazia a ligação do município com o antigo Arraial de Sousas (hoje conhecido como distrito de Sousas).

Até então, tudo estava a favor desse meio de transporte. Mas, as obras de construção de linhas de bondes não conseguiram acompanhar o crescimento urbano exacerbado nos anos 30. Além disso, nesta época, a crise energética tornava os bondes um serviço caro e os investidores, principalmente os estrangeiros, deixaram de aplicar os recursos financeiros neste meio de transporte. Aos poucos, o serviço perdeu a qualidade. Nessa brecha, os ônibus ganhavam espaço.

Um dos fatores que contribuíram para a rápida difusão do uso de veículos automotores e, principalmente dos ônibus, foi a grande quantidade de caminhos rodoviários, a maioria ainda de terra, abertos entre 1920 a 1924, pelo então governador de São Paulo Washington Luís.

Com isso, o cenário foi se transformando aos poucos e, em 1972, a cidade ganhou um terminal rodoviário para facilitar a vida dos habitantes. Antes, os embarques e desembarques eram feitos em pontos de rua.

Com o terminal recém instalado no município, as viagens foram divididas entre ônibus e trens, que ainda eram muito utilizados pela população. Porém, na década de 80, a região em que ficava a FEPASA foi abandonada e a grande movimentação se resumiu aos passageiros de ônibus metropolitanos.

Velha rodoviária

A construção da Estação Rodoviária Dr. Barbosa de Barros, na Avenida Andrade Neves, no bairro do Botafogo, teve início em 1968. Em 1972, a estação foi inaugurada parcialmente; e obras restantes prosseguiram no local até 1976. A Prefeitura fez um acordo com a Maternidade de Campinas, para que ela cedesse o terreno para a construção da rodoviária, com direito de explorar o local por 20 anos.

Durante sua existência, o terminal funcionou com muitas dificuldades. O prédio não era preparado para receber um grande número de pessoas; e, ao longo dos anos, operou acima da capacidade, entrando em colapso em vésperas de feriado, com o aumento da movimentação. No ano de 1994, o contrato com a Maternidade foi renovado até 1999, porém, já se discutia a necessidade de um novo terminal de passageiros.

Decada de 1960Em 2006, o prefeito Hélio de Oliveira Santos anunciou o projeto da nova rodoviária, localizada no terreno da FEPASA, próximo à antiga Estação Ferroviária de Campinas. As obras do novo terminal, batizado como Ramos de Azevedo, iniciaram em 2007 e foram concluídas em junho do ano seguinte.

À meia-noite do dia 22 de junho de 2008, a rodoviária Barbosa de Barros foi oficialmente desativada e as linhas remanescentes transferidas para a nova rodoviária.

Em 2010, Campinas assistiu à primeira grande implosão de um prédio público. O antigo terminal foi abaixo em 28 março de 2010, em apenas 5 segundos.

Recordar é viver

Mas os bondes não desapareceram de forma definitiva da paisagem da cidade. Desde 5 de novembro de 1972, no “Parque do Taquaral” recebeu uma linha turística de bondes, que percorre 3 km de extensão, em um passeio turístico pelo Parque. Quatro bondes elétricos foram preservados para esse fim. Esses veículos foram utilizados no sistema de transporte de Campinas no período de 1912 e 1968.

Os bondes são de fabricação americana das marcas General Eletric e White Whestinghouse, fabricados entre 1895 e 1905.

O passeio de bonde elétrico pode ser feito aos sábados, domingos e feriados no período das 10 às 18 horas.

Andrade NevesUm pedaço do passado

Ainda existem na Avenida Andrade Neves muitos prédios históricos que sobrevivem em meio à modernidade. Alguns dos antigos casarões se transformaram em pensões populares e a antiga fábrica de fundição de ferro e bronze, Lidgerwood Manufacturing Company Limited, foi restaurada e tombada pelo CONDEPACC em 1990, passando a sediar o Museu da Cidade, dois anos depois.

O Museu da Cidade, inaugurado em 3 de abril de 1992, foi criado para ser um Centro de Referência, com vocação para pesquisa e preservação da memória de Campinas, enfocando tanto o patrimônio material, quanto imaterial; ou seja, festas, danças, cantos, comemorações, entre outras manifestações culturais.

Segundo a chefe de setor do Museu, desde 2001, Renata Urbach, o Museu da Cidade nasceu da junção de outros três museus existentes: Museu do Índio, do Folclore e Histórico. “O objetivo de integrar os acervos desses três museus era considerar suas diversidades culturais e suas produções, não separando o “folclórico” do histórico”, afirma.Museu da Cidade

O acervo do Museu conta, atualmente, com cerca de 6 mil peças. Entre objetos e documentos variados, é possível encontrar, também, fotografias, documentos históricos, livros, objetos indígenas, material arqueológico, objetos que fazem referência à história da cidade de Campinas ou que fizeram parte do cotidiano da população.

De acordo com Renata, o museu não recebe exposições de outras instituições. “Procuramos montar exposições com objetos de nosso acervo. Em 2009 tivemos uma exposição muito interessante sobre a Revolução Constitucionalista de 1932”, conta.

Ela ainda compartilha uma curiosidade. “O edifício da antiga fundição Lidgerwood, que abriga o Museu, esteve prestes a ser demolido em 1987. Foi a mobilização da sociedade civil que impediu”, relata.

Para os interessados, o Museu da Cidade fica aberto de terça à sexta, das 9 às 17 horas e, aos sábados, das 9 às 15h30. Nos domingos e feriados, ele não funciona.

Hospital Penido Burnier

Outro prédio antigo instalado na Avenida Andrade Neves é o do Instituto Penido Burnier. Foi em 1907, que o Dr. João Penido Burnier fez sua primeira viagem de estudo a Paris, onde já formado, idealizou seu Instituto no Brasil.

Em 1910, ao se estabelecer em Campinas como médico da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, vislumbrou a aproximação de seu grande sonho, o Instituto Oftálmico de Campinas, que fundou em 1920, e que recebeu o nome de Instituto Penido Burnier, em 1923.

O principal edifício de seu conjunto arquitetônico tem 7 andares, localizado na Av. Andrade Neves, ocupando uma área total de quase 10 mil m2. A entrada principal, onde se localiza a recepção, fica à Rua Dr. Mascarenhas.

O Instituto atende, em média, 4 mil consultas por mês, com 350 cirurgias ao mês, tendo capacidade para internação de 20 leitos.

Delegacia Seccional - A Casa de Câmara e Cadeia

A planta desse projeto de Ramos de Azevedo é do ano de 1893; mas sua inauguração foi apenas em 1896, com a Câmara, a Intendência e o Fórum em seu piso superior e a cadeia, em seu piso térreo. Até essa data, havia uma pequena cadeia na cidade, construída com madeira e as sessões do Júri eram realizadas na casa do juiz.

Segundo o delegado seccional de Polícia, Paulo Afonso Tucci, a conservação do prédio é feita com verba do Estado, por meio de licitação; e a última revitalização aconteceu em 2005. “Nesta ocasião, o prédio foi restaurado parcialmente e contemplado com nova pintura, sustentação do forro de madeira rico e trabalhado. Foi feita, também, a raspagem da madeira do salão principal, que havia recebido pintura indevida e a revitalização do porão”, explica o delegado.

No prédio da Delegacia Seccional funciona, atualmente, os Setores de Protocolo, Centro de Inteligência Policial, Setor de Pessoal, Cartório de Polícia Judiciária, Cartório Central, Gabinete do Delegado Seccional e Delegados Assistentes.

Para Tucci, trabalhar em um prédio histórico é muito gratificante. “Essas dependências guardam um pouco da história que, a todo momento, pode ser lembrada”, afirma.

Cadeia PúblicaCadeia Pública, 2010

Fontes:Ruas da época imperial – Edmo Goulart
www.wikipédia.com.br
www.fec.unicamp.br
www.penidoburnier.com.br

Autor: Priscila Nascimento

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