O projeto de modernização do Aeroporto Internacional de Viracopos de Campinas foi apresentado nesta terça-feira, dia 26 de junho, pelo diretor-presidente do consórcio Aeroportos Brasil Viracopos, Luiz Alberto Küster, que anunciou a antecipação do início das obras do terminal e os investimentos a serem aplicados.
Küster informou que o início das obras do terminal será antecipado de outubro para agosto e que a conclusão da primeira fase está prevista para 2014, antes da Copa do Mundo de futebol. O novo terminal a ser construído terá capacidade para14 milhões de passageiros em 2014 e vai exigir um investimento de R$ 1,4 bilhão.
As novidades foram apresentadas no encontro promovido pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP), no Vitória Concept Hotel, com a presença de empresários e autoridades, incluindo o secretário municipal de Transportes, André Aranha Ribeiro, presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC).
O investimento de R$ 1,4 bilhão será para a construção de uma área de 110 mil metros quadrados. O projeto prevê um edifício-garagem com três andares para 3 mil vagas de estacionamento; 28 posições para o estacionamento de aeronaves com fingers (pontes de embarque e desembarque); e mais sete posições remotas. Nesses locais, os passageiros acessarão os aviões por meio de ônibus.
Estão projetados 90 boxes de check-in e nove terminais self-service. O aeroporto estará apto a receber qualquer tipo de aeronaves, incluindo o A-380, que é atualmente o maior avião de passageiros do mundo. O novo projeto de Viracopos está a cargo da holandesa Naco e o seu desenho será semelhante ao desenvolvido pela empresa para a Schipol, administradora do aeroporto de Amsterdã, na Holanda.
O novo terminal terá capacidade três vezes maior do que a exigência feita pelo governo na primeira etapa de obras prevista no contrato de concessão. A exigência é que tenha capacidade para 5,5 milhões de passageiros anuais, mas o consórcio Aeroportos Brasil Viracopos decidiu construir um terminal para receber por ano 14 milhões de passageiros.
O atual terminal deverá ser demolido assim que o novo estiver pronto. Para a segunda fase de investimentos em Campinas está prevista a construção da segunda e terceira pistas de pouso e decolagem: uma deverá ter pelo menos 3,6 mil metros de comprimento e a outra 2,6 mil metros.
Avanço
O secretário André Aranha Ribeiro acompanhou a apresentação do consórcio Aeroportos Brasil Viracopos e disse que o projeto desenvolvido representa um grande avanço porque as obras desta primeira fase de ampliação do aeroporto ganham mobilidade, sem prejudicar o meio ambiente. A previsão é que o novo terminal seja entregue em 22 meses.
Ribeiro está otimista. “O projeto apresentado não deverá ter problemas na obtenção do licenciamento ambiental. O consórcio alterou o projeto e o novo terminal estará inteiramente construído em área já impactada. Com isso, o volume de escavação de terra necessário irá reduzir de 25 milhões de metros cúbicos para 2,5 milhões de metros cúbicos”, comparou.
Outro aspecto será importante neste novo projeto. “A obra não vai atingir nenhuma das nascentes e nenhum metro quadrado de vegetação primária nativa. Por isso, não haverá impacto no meio físico e biótico”, afirmou o secretário. Outro dado importante: o projeto mantém a proposta de implantação de uma conexão ferroviária - trem de alta velocidade (TAV) ou trem rápido e também de um trem metropolitano.
Quanto à possibilidade de criar um ramal, interligando o aeroporto de Viracopos ao futuro Corredor Ouro Verde do BRT (Bus Rapid Transit), Ribeiro disse que vai tentar agendar uma audiência com os representantes da empresa gestora já no próximo mês de julho.
Consórcio
A operadora francesa Egis tem 10% de participação na concessionária. A Triunfo Participações detém 45% de participação e a UTC os demais 45%. Não está prevista abertura de capital nem mudança societária nos primeiros anos de operação.
Ao final da concessão, em 30 anos, quando o aeroporto de Viracopos terá capacidade para 80 milhões de passageiros ao ano, haverá dois terminais remotos que serão interligados ao principal por metrô.
Viracopos está sendo administrado por uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), ou seja, uma nova empresa formada pelo consórcio vencedor do leilão, em sociedade com a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), que detém 49% de cada SPE.
A Infraero continuará administrando diretamente 63 aeroportos do País, que são responsáveis pela movimentação de 67% do total de passageiros. A Infraero, como acionista relevante, participará das principais decisões da companhia, sendo acompanhada pela Secretaria de Aviação Civil (SAC) da Presidência da República.
Gestão
Os três aeroportos concedidos (Viracopos, Cumbica e Brasília) serão administrados nos primeiros 30 dias pela Infraero. Durante este período os consórcios vão apresentar um Plano de Transferência Operacional (PTO), que deverá ser aprovado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Com o PTO aprovado começará a chamada operação assistida de 180 dias. Durante os primeiros 90 dias, a Infraero ainda será a responsável pelas operações e será acompanhada pelo novo operador. Depois deste período o consórcio assume a operação de transição por 90 dias e agora será acompanhado pela Infraero. Esse prazo pode ser prorrogado por mais 180 dias.
Triunfo Participações
A Triunfo Participações atua, desde 1999, no segmento rodoviário por meio de suas controladas Concepa, Concer e Econorte, localizadas nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Detém também participação acionária majoritária na Rio Guaíba, Rio Bonito e Rio Tibagi, empresas que prestam serviços gerais às suas concessionárias. Portos e hidrelétricas também estão no portfólio da companhia, que detém controle em uma sociedade autorizada a explorar o Terminal Portuário de Navegantes, através da Portonave, destinado à movimentação de contêineres. É também titular, por meio da controlada Rio Verde, de uma concessão para exploração da Usina Hidrelétrica Salto, em Goiás. A empresa ainda possui uma área de 190 hectares no Porto de Santos, além de participação majoritária nas empresas NTL e Vessel-Log, dona dos navios Atlântico e Mediterrâneo, que fazem parte dos planos de atuar no ramo de cabotagem.
UTC
Já a empresa de engenharia industrial UTC se destaca nos segmentos de produção e processamento de petróleo e gás, petroquímica, geração de energia, siderurgia, papel e celulose, metalurgia, construção e manutenção industrial. Criada em 1974, a empresa faz gerenciamento, construção, montagem e manutenção tanto de pequenas unidades a grandes complexos integrados, inclusive plataformas offshore. Atualmente, tem duas bases de operações offshore em Niterói e Macaé, ambas no Rio de Janeiro, localizadas estrategicamente próximas à Bacia de Campos e ao Pólo de Construção Naval da Baía de Guanabara.
Egis Airport Operation
A operadora francesa tem a concessão de 11 aeroportos no mundo todo – no total, é responsável pelo gerenciamento do transporte aéreo de 13 milhões de passageiros. Com 190 funcionários, sede na França e um volume de negócios de mais de 31,4 milhões de euros, a Egis Airport Operation foi criada em 1969 como Sofréavia, e se tornou Egis Avia em 2006, quando se juntou ao grupo Egis. O negócio da companhia é oferecer um conjunto completo de serviços e produtos ao segmento de transporte aéreo, tanto com gerenciamento de tráfego, como de aeroportos e operações aéreas.