25 de Setembro de 2018 - Campinas/SP
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Gestores da Emdec debatem políticas de mobilidade para Campinas



A faculdade DeVry Metrocamp (Faculdade Integrada Metropolitana de Campinas) recebeu na quinta-feira, 25 de maio, das 13h30 às 17h, o “Ciclo de Conversas sobre Mobilidade Urbana” da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), dentro da programação do movimento Maio Amarelo no município.

Sob o tema “Segurança viária e planejamento urbano: construção de políticas públicas de mobilidade”, o ciclo teve palestras do diretor de Planejamento e Projetos da Emdec, João Vicente Gaido; do diretor de Operações, Wilson Folgozi de Brito; e do diretor de Desenvolvimento Institucional, Guilherme Damasceno Fernandes, com abertura do secretário municipal de Transportes e diretor-presidente, Carlos José Barreiro.

Na plateia, representantes de órgãos de trânsito e transportes da Região Metropolitana de Campinas (profissionais de Paulínia e Valinhos); das secretarias municipais do Direito da Pessoa com Deficiência e Cidadania, de Educação e do Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade São Francisco (USF), além de funcionários da Emdec.

O secretário Barreiro abriu o evento. Destacou que o conceito Desenvolvimento Orientado ao Transporte Sustentável (DOTS) foi inserido no atual processo de revisão do Plano Diretor do município. Seguem presentes as diretrizes de priorizar os modos de transporte não motorizados sobre os motorizados e o transporte coletivo sobre o transporte individual. “Queremos uma cidade melhor planejada, que promova formas seguras de deslocamento”, projetou Barreiro.

Ele enfatizou as seguidas quedas nas estatísticas de acidentes de trânsito fatais no município nos últimos três anos, mas lembrou que 51,3% (38) dos 74 mortos em 2016 tinham entre 18 e 35 anos, portanto os jovens, em especial, preocupam. “O objetivo de debates como este é viabilizarmos juntos, independentemente da faixa etária, uma circulação consciente, que preserve nosso passado, presente e futuro. Uma Campinas mais humana, racional, que propague as escolhas certas no trânsito”, conclamou o secretário.

Em termos comportamentais, a inspiração de Barreiro são os países da Escandinávia (Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia): “O que existe de diferente por lá? Maior respeito pelo outro. Nem sempre se vê isso no Brasil”.

Amplo território e motorização
Na sequência, o diretor de Planejamento e Projetos da Emdec, João Gaido, disse que a grande extensão territorial campineira, 795 km2, dificulta as soluções de mobilidade. As características de desenvolvimento urbano entre 1952 e 2012 alargaram o perímetro do município. “Os deslocamentos deveriam se dar em um raio de 7,5 km, no entanto temos algo em torno de 12 km. Dessa forma, sobe a velocidade praticada e aumenta o risco de morte”, alertou Gaido. O diretor mostrou, como agravante, que Campinas possui elevada taxa de motorização – 1 veículo para cada 1,3 habitante no ano passado. Uma população de 1.173.370 pessoas para uma frota de 902.306 veículos automotores.

“Esse crescimento resultou em grandes distâncias, alta capilaridade. Prejudicou o transporte coletivo, deixando seus custos elevados e reduzindo a qualidade do serviço prestado”, explicou. “A concentração de moradias na periferia e de empregos na região central mantêm os carros e as motos mais atraentes”.

As consequências dessa urbanização foram a ampliação dos percursos e do tempo de viagem; a saturação do sistema viário (uma pessoa em um automóvel particular ocupa até 20 vezes mais espaço que uma pessoa em um ônibus); o agravamento dos índices de acidentalidade, da poluição atmosférica e sonora; e gastos maiores com infraestrutura, transporte e saúde.

“Para reverter esse quadro, precisamos adotar o DOTS, aplicar os instrumentos do Estatuto das Cidades [Lei Federal Nº 10.257/2001] e os preceitos da Política Nacional de Mobilidade Urbana [instituída na Lei Federal Nº 12.587/2012]”, projetou. “Passa por pensar as políticas públicas de forma integrada e conter esse espraiamento, estimulando a ocupação dos vazios urbanos, além de investir em transporte público de qualidade, sustentável”.

Neste sentido, Gaido anunciou que, na futura concessão do transporte público coletivo municipal, está prevista a delimitação de uma área onde circulariam somente ônibus não poluentes ou menos poluentes.

Investimentos em infraestrutura
Em sua explanação, o diretor de Operações, Wilson Folgozi de Brito, corroborou o raciocínio: “Nunca teremos vias suficientes para a frota; isto se resolve com a prioridade ao transporte coletivo”. Alertou, porém, que “para tanto, precisamos dotar a cidade de infraestrutura adequada e dedicada [corredores, terminais, pontos]”. Assim, defende Folgozi, o sistema poderá ser gradualmente qualificado, atraindo motoristas e motociclistas.

Folgozi recordou que os principais terminais de ônibus foram implantados nos anos 80 e carecem de melhores condições de integração entre eles. “Para tirar o atraso são necessários grandes investimentos, mas em função da crise os orçamentos municipais ficaram menores”, comentou.

Ele exemplificou que os três corredores do Sistema BRT (Bus Rapid Transit, transporte rápido por ônibus) - Campo Grande, Ouro Verde e Perimetral - terão custo de R$ 451,5 milhões. “Campinas, sozinha, jamais conseguiria investir todo esse montante”, lembrou Folgozi. Neste total, há R$ 92 milhões do Orçamento Geral da União (OGU) e R$ 197 milhões financiados pela Caixa Econômica Federal (CEF). O município faz aporte de R$ 162,5 milhões.

Cultura de paz
Por fim, tomou a palavra o diretor de Desenvolvimento Institucional, Guilherme Damasceno Fernandes. Ele ilustrou como o munícipe, efetivo usuário dos espaços públicos, deve ser educado para seu correto compartilhamento: “A cidade se constrói na interação das pessoas com ela e também entre essas pessoas. Eu contribuo para a formação da cidade e a cidade contribui para a minha formação. É um território educativo”.

As ações de educação para o trânsito da Emdec buscam, portanto, formar bons cidadãos, não somente bons motoristas. “Fomentamos uma cultura de paz, que evite conflitos e dê preferência aos mais vulneráveis. Todos somos, em última instância, pedestres. Trabalhamos para garantir equidade, igualdade, independente da classe social e das condições de mobilidade do indivíduo”.

Guilherme apresentou os quatro eixos da mobilidade urbana sustentável: planejamento urbano (ordenamento do crescimento do município, redução da necessidade de viagens), transporte sustentável (não motorizado, coletivo), eficiência (novas tecnologias, fontes alternativas de energia) e equilíbrio (acessibilidade).

Listou ações realizadas dentro do Maio Amarelo e divulgou projetos futuros, como uma campanha para qualificar o comportamento de motoristas em relação aos pedestres; a disponibilização de conteúdos através de plataforma e-learning, inclusive para capacitar motoristas de ônibus, transporte escolar e táxi; e a instalação de um minicircuito de trânsito na Emdec, na Rua Dr. Salles Oliveira, Vila Industrial. O minicircuito é uma simulação de ruas, ciclovias e calçadas com sinalização, que serve para orientar pais / responsáveis e crianças sobre cidadania e segurança viária.

“Em linhas gerais, pretendemos fortalecer a interface entre a população e o Poder Público, através de espaços de discussão, parcerias com empresas e universidades e tecnologias que conectem as pessoas”, disse o diretor.

Ao final das palestras, houve debate entre os diretores e participantes do ciclo.



Maio Amarelo

O movimento foi criado em 2014 pelo Observatório Nacional de Segurança Viária (www.onsv.org.br), em apoio à Década de Ação pela Segurança no Trânsito 2011-2020 da Organização das Nações Unidas (ONU), lançada em maio de 2011. Neste período, “governos de todo o mundo se comprometem a tomar novas medidas para prevenir os acidentes no trânsito, que matam cerca de 1,3 milhão de pessoas por ano”, segundo o texto das Nações Unidas.

O Maio Amarelo se inspira no Outubro Rosa e Novembro Azul, mobilizações que abordam, respectivamente, o câncer de mama e de próstata. O objetivo, descrito em www.maioamarelo.com, é “chamar a atenção da sociedade para o alto índice de mortes e feridos no trânsito em todo o mundo”. Seu símbolo, o laço, replica os de outubro e novembro e também o da luta contra a Aids (síndrome da imunodeficiência adquirida), mas na cor amarela (de atenção).

Para pacificar a circulação, propõe “mobilizar toda a sociedade, envolvendo os mais diversos segmentos: órgãos de governos, empresas, entidades de classe, associações, federações e sociedade civil organizada”. Já alcança 25 países.

A programação completa do Maio Amarelo em Campinas pode ser consultada no hotsite www.emdec.com.br/maioamarelo.

O objetivo central é continuar reduzindo a mortalidade no trânsito campineiro. Em 2016, Campinas teve 74 mortes no trânsito, 15,9% menos que em 2015, quando foram 88 óbitos, 22,9% menos que em 2014, quando foram 96, e 26,74% menos que em 2013, quando foram 101. As estatísticas estão detalhadas no Caderno de Acidentalidade 2016.

Autor: Edgard Oliveira Jr. Fotos: Ana Franke Última alteração em 30 de Maio de 2017 às 11:05



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