
A paixão pela ciclomobilidade uniu cerca de 150 ciclistas para reforçar uma cultura de mais empatia e responsabilidade no trânsito, na manhã deste domingo (24/05). A mobilização ocorreu durante o Pedal do Maio Amarelo, promovido pela Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) e pela Secretaria de Transportes (Setransp).
O pedal de 12 km partiu da Lagoa do Taquaral, seguindo pela Heitor Penteado e vias do Taquaral até a Estação Anhumas, retornando ao ponto inicial. A proposta uniu esporte, lazer, patrimônio histórico e cicloturismo, já que houve parada na ‘Maria Fumaça’, onde ocorre o tradicional passeio de trem entre Campinas e Jaguariúna, para interação e fotografias.
Agentes da mobilidade urbana acompanharam o percurso na retaguarda, com viaturas e bikes. Os participantes contaram com veículos de apoio para emergências, além de pontos de distribuição de água. Diversos brindes foram sorteados, inclusive ingressos para o passeio de Maria Fumaça, ofertados pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF).
Cicloativistas a simpatizantes da bike destacam causa pela paz no trânsito
Quem encarou os 12 km em duas rodas fez questão de apoiar a bandeira de paz no trânsito levantada durante o Maio Amarelo.
Acompanhado da filha, a pequena Helena, de seis anos, o comerciante Gustavo Zile, de 42 anos, integra o Grupo Bike Tools, de Barão Geraldo, e reforçou a importância de cultuar o respeito aos mais vulneráveis. “Junto com os pedestres, somos os mais frágeis no trânsito. Então é importante que sejamos vistos para reforçar que pedestres e ciclistas devem ter prioridade no trânsito e impor um pouco mais de respeito por parte dos condutores”.

Taís Cristina Cagliari de Souza, de 35 anos, é deficiente visual e portadora da condição neurodegenerativa Síndrome de Wolf. Contrariando todos os diagnósticos recebidos, começou a pedalar como forma de vencer as limitações. “A bike salvou a minha vida. Utilizo muito as ciclovias de Campinas e me sinto parte desse movimento. Meu recado para os motoristas é: reduza a velocidade ao passar pelo ciclista, dê a prioridade”, disse. Ela fez questão de contar que, em abril, realizou, de bike, o ‘Caminho da Fé’, de Águas da Prata até Aparecida do Norte, ao lado do guia Otoniel. Ambos integram o grupo “Olhos Aventureiros”.
Para Emerson Oliveira, integrante do Garapaaas Bike há mais de 10 anos, “foi bem interessante essa variação de trajeto, que promoveu o resgate da história de Campinas. São fundamentais iniciativas como esta que integram diversos grupos de ciclistas, promovem a cultura de respeito ao ciclista e reforçam que somos parte viva e integrante do trânsito”.
A família Santos estava reunida para participar do pedal. Ao lado do esposo e filhos, a artista muralista Vanessa Augusta dos Santos, de 42 anos, destacou que “criamos vínculos ao participar dos pedais e essa união de ciclistas promove a conscientização pela paz no trânsito, tanto de quem vê quanto de quem pedala”, disse.
Apoiaram a realização do pedal as secretarias municipais de Esporte e Lazer e Cultura e Turismo, a Sanasa, além de grupos de cicloativistas e da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), que opera a Maria Fumaça.
Nenhum ciclista perdeu a vida no trânsito em 2026
Campinas alcançou redução de 63% nas mortes em vias urbanas no primeiro trimestre de 2026 e nenhum ciclista perdeu a vida no trânsito neste ano. Em 2025, foram cinco mortes de ciclistas em vias urbanas e rodovias. Destes cinco, três morreram em vias urbanas, número 40% menor do que o registrado em 2024 (5).
Sobre o Maio Amarelo
O Maio Amarelo foi criado em 2014 pelo Observatório Nacional de Segurança Viária, em apoio à Década de Ação pela Segurança no Trânsito 2011-2020 da Organização das Nações Unidas (ONU). Neste ano, tem como tema “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”. A programação completa, que contempla ações para conscientizar pedestres, ciclistas, motociclistas e condutores, está disponível no hotsite emdec.com.br/maioamarelo.